O Círio em louvor a Santo Antônio, o padroeiro da cidade, é diferente de tudo o que existe na tradição paraense. É noturno, fluvial e apresenta um espetáculo deslumbrante.

Textos: Danielle Cabral Fotos: Geraldo Ramos

Oriximiná tem atrativos para todos os gostos, a começar da natureza exuberante, culminando na devoção fervorosa ao seu padroeiro: Santo Antônio. Tudo em tons de sobra, característica predominante da região amazônica. Todos os anos, no primeiro domingo de agosto, é realizado no município, há meio século, o círio em homenagem a Santo Antônio. É, diga-se de passagem, uma das manifestações religiosas mais bonitas do Pará. A procissão nas águas calmas e escuras do Rio Trombetas - afluente esquerdo do Rio Amazonas - oferece um cenário verdadeiramente belo, reunindo dezenas de embarcações caprichosamente ornamentadas.
No sábado, véspera do Círio, é promovida a trasladação da imagem para a Capela do Aimim, no Rio Nhamundá, não muito longe da sede municipal, onde a comunidade permanece em vigília até as 18 horas do domingo, quando é iniciada a procissão fluvial. O ícone de Santo Antônio, em tamanho natural, é levado para a embarcação principal, uma balsa artisticamente decorada e onde sobressai uma gigantesca imagem do padroeiro. No Rio Trombetas, à frente da cidade, outros barcos começam a depositar em suas águas, milhares de pequenos copos multicoloridos que conduzem uma vela acesa e que a população local denomina de "barquinhas". As "barquinhas" que enfeitam a extensão do rio durante a romaria são fabricadas em madeira e papel. As embarcações de pequeno e médio porte também são iluminadas, dando beleza ímpar ao efeito visual da procissão, deixando na lembrança de qualquer espectador a força da fé do povo oriximinaense. O Círio fluvial demora cerca de duas horas. Logo depois é iniciada uma outra procissão pelas ruas da cidade até a Igreja Matriz, onde é celebrada a  missa. Seguem-se as festividades profanas, com arraial, exibições de conjuntos musicais no coreto, leilões, venda de artesanatos, barraquinhas com comidas típicas, etc. Os festejos duram duas semanas, transformando a vida de Oriximiná, que tem sua população razoa
velmente aumentada, com a chegada de romeiros vindos da zona rural, de cidades vizinhas e até das mais distantes. É o único círio fluvial noturno na Amazônia, daí se pode imaginar tão rara beleza, uma mistura de contrastes marcantes. Para o povo é uma demonstração de devoção e fé; para os turistas, é mais uma das surpresas fascinantes que a região proporciona a cada instante, algo que faz parte do "espetáculo".
A devoção ao "santo casamenteiro" em Oriximiná tem sua origem na própria fundação da cidade. O padre José Nicolino de Souza,  natural do município de Faro, quando subiu o Rio Trombetas, fundou, no dia 13 de junho de 1877, com o nome de Santo Antônio do Uruá-Tapera, um povoado depois elevado à categoria de vila e, posteriormente, a município com o nome de Oriximiná. A lei de criação data de 24 de dezembro de 1934 e tomou o número 1442.
O município é rico em manifestações religiosas. A festa de São Sebastião, com celebração litúrgica, em janeiro, é marcada pela realização de procissão e novenário. No lado profano, há o tradicional leilão para angariar recursos para a paróquia. No mês de março, acontece a Festa de São José, cuja
procissão é promovida pelos operários do município. Outras festividades são destaques no município, tais como a quadra carnavalesca, a quadra junina, a temporada de férias escolares, a Festa da Castanha-do-Pará, a Pesca do Tucunaré (delicioso peixe da Amazônia) e as comemorações do aniversário do Município. Em Oriximiná existem, representando um aspecto cultural muito relevante no município, os "rezadores", os "encomendadores de almas" e os "esmoladores". Há ainda, os "cordões de pássaros" e as "pastorinhas", incentivados principalmente pela Prefeitura interessada em não deixar morrer as tradições.
No artesanato, a maioria das peças é produzida no interior, onde os artesãos fabricam paneiros, tapetes, peneiras, tipitis, vasos ou ouriço de castanha e remos.
O Prefeito Luiz Gonzaga Viana Filho tem apoiado as manifestações culturais do município, notadamente os Festivais de Música (em julho) de pesca (em setembro) e o da Cultura (em dezembro).

Localização
O município pertence à Mesorregião do Baixo Amazonas (Microrregião de Óbidos). Localiza-se no Oeste do Pará, na região da Calha Norte, margem esquerda do Rio Trombetas. Limita-se com Terra Santa, Faro, Juruti, Óbidos, Guiana, Suriname e Roraima.
População estimada:
42.000 habitantes, sendo 21.445 homens e 20.555 mulheres.
Área
: 108.086 km 2.
Distância da Capital: 823 km (linha reta)
Como chegar: De avião _ os vôos saem de Belém, pela Varig, até Porto Trombetas; para a sede municipal chega-se por via fluvial. De navio - De Belém há linhas regulares e de Santarém, saem barcos diariamente em vários horários.

Hospedagem
Tapiocão:
Av. Beira Rio
(0xx91-544-1665)
Tapuiu:
Bairro Centro (0xx91-544-1562)
Casa de Hóspedes: 
Porto Trombetas (Distrito)
Alimentação

Buterrace Itália, Jacytara, Bem-Bom, Cuca-Legal, Restaurante Central, Casa de Hóspedes Restaurante (PTR-Distrito)
Calendário de Eventos (principais)
l Festival de Música de Oriximiná (janeiro)
l Carnaval (fevereiro)
l Semana Santa Cultural (abril)
l Mostra de Teatro Amador de Oriximiná (maio)
l Festival da Castanha (junho)
l Festividades de Santo Antônio - Círio de
Stº Antônio (agosto)
l Festival da Cultura (novembro)
l Aniversário de Oriximiná (dezembro)
Potencial Econômico
Exploração da madeira de lei, juta, pescado, castanha-do-pará e principalmente a exploração da bauxita feita pela empresa Mineração Rio do Norte.

Lago do Caipuru

Fica bem perto da sede do município (10 minutos de lancha). É onde estão as praias do Caipuru e a Ponta do Violão (que afloram durante o verão amazônico), com suas dezenas de árvores espalhadas nas areias branquíssimas, as águas cristalinas, e o sol brilhante num imenso céu azul, um verdadeiro paraíso, com nenhuma infra-estrutura.

Cachoeira Porteira

É um lugar que merece destaque. Tem todos os ingredientes para uma aventura inesquecível: corredeiras, túneis de pedras, sem contar a força do Rio Trombetas e o próprio banho na cachoeira; o lugar é bem primitivo, apesar de possuir infra-estrutura adequada e opções variadas de lazer. Com certeza será uma viagem inesquecível, todavia, é necessário manter contato com a direção da Eletronorte para viabilizar o passeio. Chegando lá, o turista além de precisar ter criatividade e disposição, precisará de fôlego para desvendar os fascinantes mistérios, encantos e emoção que Cachoeira tem a oferecer. A Cachoeira Porteira pode simplificar todo o esplendor da Amazônia: floresta intocável, tabuleiro de tartarugas, pássaros, animais silvestres, botos e jacarés. A caça é totalmente proibida, a área é protegida pelo Ibama. Durante todo o percurso da viagem, de aproximadamente três horas, subindo o Rio Trombetas, o visitante poderá desfrutar da fascinante reserva biológica do Trombetas .
Assim, Oriximiná, uma típica cidade da região amazônica, pode ser considerada uma das "sedes" do turismo ecológico mundial.
Com certeza, após saber de todas essas maravilhas aqui tão perto, vá correndo fazer suas malas - lembre-se que o período de alta temporada é de setembro a dezembro - mas não esqueça de colocar, em primeiro lugar, sua máquina fotográfica para registrar os momentos inesquecíveis diante de paisagens que ficarão indeléveis em sua vida.

Lago do Iripixi

Nos meses em que os rios estão cheios e as praias não afloram, a solução é criar "ilhas" artificiais (em pranchões de madeira) para desfrutar das águas límpidas deste lago bem próximo da cidade.